Isso foi abuso?

Foi em Agosto... ou foi em julho? Teve um mês específico? Não, nunca tem um mês específico, nem uma data específica... são pequenas coisas que vão acontecendo e quando a gente vê... Já era... estamos enclausuradas mentalmente!

 

 

 

Do que você tá falando Alê, pelaaamorrr????

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Todos os anos temos o Agosto Lilás - aliás todos os anos o mês marca a sanção da Lei Maria da Penha - que procura sensibilizar toda a sociedade para a violência cometida todos os instantes às mulheres. Mas por quê falar disso agora, em Setembro? Porque a violência contra a mulher é muito mais ampla do que “o tapa, o sexo forçado, o espancamento”. NÃO ESTOU DIZENDO QUE ISSO NÃO É IMPORTANTE, quero aqui mostrar que existem outros tipos mais “sutis” de violência que acabamos não percebendo...

Não sei se você sabe, mas eu sou uma pessoa “mais vivida” digamos assim... hoje estou com 45 anos e há uns 20 anos atrás, aproximadamente, tive um namorado que era uma pessoa muito culta, viajada, mas muito mais velho que eu. Havíamos nos conhecido anos antes e depois que me separei começamos a namorar. No início achava lindo ele comprar roupas para mim – normalmente caras e mais formais – perfumes, jóias. Gostava muito desse “cuidado”... contudo comecei a perceber que minhas roupas estavam ficando bem mais compridas que o usual, menos decotadas – e olhe que eu nunca fui “devassa” nas roupas não!!!

Além disso havia perguntas do tipo “onde você deu o cheque XXX?” Oi? Como ele sabia disso? Ele trabalhava no banco que eu tinha conta! Sim acredite, ele olhava a minha conta! E me questionava todas as vezes que algo “fora no normal” acontecia. Ele também não gostava das minhas amigas de faculdade – era ofensivo quando eu dizia que ia sair com elas. E também não gostava do meu ex-marido e queria que eu NÃO FALASSE MAIS COM ELE! Como se eu e ele (o ex) temos um filho juntos?

 

 

 

 

 

O relacionamento durou quase 2 anos – sim, isso tudo – e quando eu terminei ele ligava todos os dias no meu trabalho. Ficava parado na porta da minha casa de madrugada para saber se eu estava em casa. Sim ele me ligava e dizia que tinha ido lá! E quando ele percebeu que não havia mais nada que me fizesse voltar para ele, ele me pediu TUDO QUE HAVIA ME DADO DE VOLTA... sim isso mesmo... todas as roupas, as joias, os perfumes, até as viagens que fizemos juntos ele “cotou” a minha parte! E o que eu fiz??? Devolvi... devolvi tudo e foi a melhor coisa da minha vida...

Vocês podem estar se perguntando porque não denunciei, porque não falei nada... porque eu não percebi a violência, a opressão, a raiva, a posse. Foram pequenos eventos, coisinhas que a gente não “sente”. Na época não havia Lei Maria da Penha, não havia Delegacia das Mulheres, não havia a discussão sobre o empoderamento feminino. O que escutei, de mulheres inclusive, foi... “ah, deixa pra lá, ele não fez por mal, ele só quer cuidar de você”...

 

Por isso meus amores comecei o texto dizendo que a violência não é só o tapa... a opressão psicológica também é violência... pense a respeito. Não deixe que isso aconteça com você! Se não consegue sozinha, procure ajuda, existem grupos de apoio. Se informe, observe... você é um ser único e merece ser tratado com tal!


 

Alê Bevilaqua

Mestre em Psicologia Organizacional pela UnB

Mãe, mulher, ex-oprimida, hoje dona de uma consciência em constante transformação.

O relacionamento durou quase 2 anos – sim, isso tudo – e quando eu terminei ele ligava todos os dias no meu trabalho. Ficava parado na porta da minha casa de madrugada para saber se eu estava em casa. Sim ele me ligava e dizia que tinha ido lá! E quando ele percebeu que não havia mais nada que me fizesse voltar para ele, ele me pediu TUDO QUE HAVIA ME DADO DE VOLTA... sim isso mesmo... todas as roupas, as joias, os perfumes, até as viagens que fizemos juntos ele “cotou” a minha parte! E o que eu fiz??? Devolvi... devolvi tudo e foi a melhor coisa da minha vida...